terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Duarte Gomes escreve sobre as leis do jogo. Lei 8

Bem vindos a mais uma das leis de jogo. Garanto, desde já, que esta não é difícil. Essas hão-de chegar, com o tempo. Guardo-as para os próximos capítulos.

Hoje vamos falar dos diferentes inícios e reinícios que um jogo de futebol permite. Não são muitos, mas são importantes. Alguns até têm direito a uma lei própria

Vamos a isso? Vamos lá então descobrir o que há de mais relevante sobre...



Lei 8 - O Começo e o recomeço do jogo

Pergunta chave: como começam todos os jogos?


Resposta base: com um pontapé de saída.

Pelo menos, esse é o nome que a lei atribuí àquele que é, verdadeiramente, o primeiro momento do jogo.

Mas os “pontapés de saída” não assinalam apenas o arranque de cada partida.

Eles também servem para recomeçar as segundas partes, os dois períodos dos prolongamentos (quando necessário) e o reatar do jogo após a obtenção de cada golo.

Além do pontapé de saída, existem ainda outros recomeços de jogo aqui previstos também:

- Os pontapés-livre (que podem ser diretos ou indiretos), os pontapés de penálti (já não se diz "grandes penalidades"), os lançamentos laterais, os pontapés de baliza e os pontapé de canto.

Mas há outro, um que o árbitro é o o autor único e privilegiado: a bola ao solo (sim... essa coisa da "bola ao ar" é só no basquetebol, não aqui).

Este tipo de reinício tem algumas especificidades curiosas, sabiam? Ele acontece, por regra, quando o jogo é interrompido por um motivo que a lei não obrigue a reatar com algum dos recomeços acima indicados.

Exemplo: um cão entrou no terreno e interferiu com a jogada. Aí, o árbitro tem que interromper a partida, retirar o animal e recomeçar o jogo com bola ao solo, no local onde a bola se encontrava quando se deu a interrupção.

Só não será nesse exato local numa situação se, nesse momento, a bola estiver numa das áreas de baliza (que o adepto conhece como “pequena área”).

Aí a bola ao solo terá que ser efetuada (preparem-se): na linha da área de baliza, paralela à linha de baliza, no local mais próximo onde a bola se encontrava, no momento da interrupção.

Trocando por miúdos, a ideia é não fazer uma bola ao solo muito próximo da “linha de golo”. Isso faria com que houvesse um enorme aglomerado de jogadores numa zona pequena e crítica, com fortes possibilidades de acontecerem conflitos e perturbações graves para o jogo.

A ideia é evitar o pior. A bola ao solo só entra em jogo quando toca no terreno. Ninguém a pode jogar / tocar antes disso (senão é repetida).

Também será repetida se, depois de executada, sair diretamente do terreno de jogo (por exemplo, por ação do vento). Ao contrário do que se vê habitualmente, não é obrigatório que um jogador de cada equipa dispute uma bola ao solo.

Qualquer número de jogadores pode fazê-lo (o que significa até que uma equipa pode abster-se de estar presente nesse lançamento).

Agora uma novidade (alteração recente): se a bola entrar na baliza sem tocar em pelo menos dois jogadores, o jogo recomeça ou com pontapé de baliza (se entrar na própria baliza de quem a tocou) ou com pontapé de canto (caso entre na baliza adversária).

Exemplo: o árbitro efetua bola ao solo e um jogador, ao querer retribuir um gesto do adversário, chuta a bola para longe (o tal FairPlay).

Agora imaginem que, inadvertidamente, ele faz golo na baliza adversária (e como sabem, isso já aconteceu). Neste momento, esse risco foi eliminado, porque a bola não tocou em, pelo menos, dois jogadores.

A alteração baseou-se exatamente nesta ideia: terminar com golos “bem intencionados”.

Adiante.

A lei também diz algo que para nós já é óbvio: se existir alguma infração quando a bola não estiver em jogo (por exemplo, o jogo recomeçará com desse modo e não punindo essa infração. Pode até haver sanção disciplinar (amarelos ou vermelhos), mas o reinício será sempre o mesmo.

Exemplo: agressão de um jogador a um adversário antes do GR executar pontapé de baliza.

Solução: vermelho para o agressor e recomeço tal como o previsto antes (pontapé de baliza)

Procedimentos do pontapé de saída Fica aqui o registo dos mais relevantes:

1. A equipa que vence o sorteio - efetuado por meio de uma moeda ao ar - escolhe para que baliza quer atacar. A que “perde”... começa o jogo (ao contrário do que muita gente pensa, quem ganha não escolhe campo ou bola);
2. A equipa contrária à que começou a partida, recomeça-a na segunda parte;
3. No início do segundo tempo, as equipas trocam de campo (mas os árbitros assistentes não, mantêm-se sempre no seu meio-campo);
4. Depois de uma equipa marcar um golo, a equipa contrária recomeça o jogo com pontapé de saída.

É obrigatório que, em cada pontapé de saída:
  • Todos os jogadores estejam no seu próprio meio-campo;
  • Os adversários de quem executa o recomeço estejam a uma distância mínima de 9.15m da bola, até que ela entre em jogo (isso acontece quando ela é pontapeada e se move claramente);
  • A bola seja colocado no solo, sobre o ponto central;
  • O árbitro apite, autorizando o pontapé de saída;
Nota - pode ser marcado, diretamente de um pontapé de saída, um golo na baliza adversária (se for na própria baliza, será executado pontapé de canto).

Outras notas relevantes.

O executante do pontapé de saída não pode tocar na bola duas vezes consecutivas sem que esta seja antes tocada por qualquer outro jogador.

Se o fizer, a sua equipa será punida com pontapé-livre indireto (ou com pontapé-livre direto, caso esse segundo toque seja com a mão), no local da infração.

Se o pontapé de saída for mal efetuado, será repetido.

Pronto. Dito o que mais importa.

Para a semana, exploraremos as diabruras da Lei 9.

Não se esqueçam: são dezassete (mais a do bom senso).

Boa semana a todos.



Se quiser ler sobre as outras leis poderá fazê-lo aqui:

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