segunda-feira, 17 de abril de 2017

O aquecimento das equipas de arbitragem

Não estamos acostumados a acompanhar o aquecimento da equipa de arbitragem, até porque o árbitro não era visto como um atleta até há poucos anos. E se agora é uma imagem comum, não era habitual até há uns anos os árbitros fazerem aquecimento.

O Referee Tip deixa aqui alguns exemplos de aquecimento dos árbitros.

Fonte: Arbitro Diez


Árbitra Assistente Nadine Schramm despede-se dos relvados

A árbitra assistente Nadine Schramm despediu.se da carreira com um momento muito bonito num particular entre a seleção do Brasil e a da Bolívia.

Podemos ver o momento no vídeo a partir do minuto 8:47.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Como é apitar um jogo do Canelas? "Eles dão-te no focinho e depois não me peças ajuda"

É um retrato, na primeira pessoa, de um árbitro que já apitou vários jogos do Canelas 2010 e que relata o clima de intimidação que se vive em muitos dos jogos daquela equipa dos distritais da Associação de Futebol do Porto (AFP).
Marco “Orelhas” Gonçalves, agressor do árbitro José Rodrigues, é qualificado por este juiz de campo que aceitou falar com o PÚBLICO com a expressão… “é do pior”. Mas há vários elementos que dominam a equipa de futebol do Canelas que merecem qualificativos semelhantes – um defesa lateral chamado Isaac, o guarda-redes Chibante e, claro, Fernando Madureira, capitão de equipa, líder da claque SuperDragões do FC Porto e conhecido no mundo do futebol com a alcunha de “macaco”. “Havia outro, Bruno Ribeiro, conhecido por ‘Aranha’, mas foi detido recentemente por causa do caso de viciação de resultados com jogos do Oriental, Penafiel e Académico de Viseu”, na Operação Jogo Duplo.

Este árbitro que falou ao PÚBLICO viu as imagens televisivas da agressão ao seu colega e identificou aquilo que designa por “forma de actuação recorrente” por parte dos homens-forte da equipa do Canelas 2010. “Se reparar, o Marco começa por agredir um adversário. Face a essa agressão clara, o árbitro dirige-se para o atleta de forma a exibir-lhe o cartão vermelho e é logo abordado não pelo ‘orelhas’ mas pelo ‘macaco’. É sempre assim. É sempre ele que vem primeiro e começa com as ameaças – ‘olha que eu não seguro isto, olha que eu não aguento esta merda. Eles dão-te no focinho e depois não me venhas pedir ajuda. É melhor não expulsares’”.

Na boca deste árbitro, situações deste tipo são recorrentes. E aproveita para alertar para outro detalhe que é possível constatar nas imagens televisivas da agressão a José Rodrigues. “Se reparar, o agressor não foi logo agarrado. Mesmo com a polícia ali, a própria polícia tem consciência de que as coisas podem complicar-se. Nos jogos em casa do Canelas 2010 podem até vir pessoas das bancadas, entrarem em campo…”

Fonte: Público

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fábio Veríssimo e Vanessa Gomes nomeados para competições internancionais

O árbitro português foi nomeado para a fase final do Euro 2017 de sub-17, que se disputará na Croácia. Vanessa Gomes, árbitra assistente, vai estar no Europeu feminino de sub-17. 

                                                                          
O árbitro português Fábio Veríssimo foi nomeado pela UEFA para apitar na fase final do Campeonato da Europa de sub-17, que se realizará na Croácia, de 3 e 19 de maio.
Em declarações ao fpf.pt, Fábio Veríssimo não escondeu o orgulho por esta nomeação e deixou claro que a meta é claramente continuar a dar uma boa imagem da arbitragem lusa: "É um momento de orgulho, mas também de responsabilidade. Trata-se de uma fase final de um Campeonato da Europa, ainda que de camadas jovens, e o objetivo principal é privilegiar a arbitragem portuguesa", referiu.
O internacional considera que esta nomeação é fruto da recente evolução na arbitragem portuguesa e deixa elogios à melhoria das condições de trabalho encontradas: "As condições melhoraram, temos todo o apoio da Federação Portuguesa de Futebol. Há evolução quase diária. O Conselho de Arbitragem, temos de referir, tem um projeto e as coisas têm vindo a melhorar. Esta nomeação acaba por ser uma vitória coletiva de toda a arbitragem portuguesa", adiantou.
O juiz confidenciou ainda o momento em que soube da sua nomeação internacional: "Foi antes do encontro entre GD Chaves e Vitória SC. O presidente do CA da FPF, José Fontelas Gomes, ligou-me para discutir aspetos técnicos sobre os critérios de desempate. Depois, de surpresa, contou-me a nomeação. Foi uma motivação extra para o jogo que penso foi um grande espetáculo", contou.
Fábio Veríssimo sublinhou ainda que esta notícia é o reconhecimento do valor da arbitragem nacional: "Somos mais valorizados lá fora do que dentro de portas. Acho que isso é uma constatação óbvia face aos últimos acontecimentos", finalizou.
Por sua vez, Vanessa Gomes, árbitra assistente, marcará presença no Europeu feminino de sub-17, que terá lugar na República Checa, que se disputará entre 2 e 17 de maio. A auxiliar, que pertence à AF de Lisboa, mostrou-se radiante por esta nomeação que diz ser a concretização de um sonho: "Fiquei muito contente e orgulhosa com esta notícia. É uma nomeação importante, pois todas nós queremos estar presentes numa fase final de um Campeonato da Europa, e posso dizer que é um sonho tornado realidade", salientou.
Para finalizar, Vanessa Gomes destaca a evolução que a arbitragem feminina tem sentido nos últimos tempos: "Há uma clara melhoria na arbitragem feminina, isso tem sido notório com nomeações de outras colegas internacionais. Acho que vem no seguimento desse bom trabalho e da imagem positiva que temos passado, quer em termos nacionais, quer internacionais. Nos últimos tempos temos vindo a ter melhores condições e isso tem sido importante para estarmos mais bem preparadas a todos os níveis. Por outro lado, esta nomeação também deve ser encarada como o resultado da aposta que foi feita nas próprias competições nacionais. A criação da Liga Allianz deu-nos maior visibilidade.", concluiu, em declarações à fpf.pt.

Fonte:FPF

domingo, 2 de abril de 2017

Árbitro José Rodrigues (AF Porto) agredido! (com vídeo)

O Sport Rio Tinto-Canelas 2010, da 3ª jornada da fase de subida da Divisão de Elite da Associação de Futebol do Porto, durou apenas alguns minutos. Recorde-se que a equipa da casa fez parte do boicote ao adversário na fase regular.
Neste domingo, em Rio Tinto, as duas equipas encontraram-se para um duelo que terminou da pior forma. Num dos primeiros lances do encontro, um jogador do Canelas (Marco Gonçalves) desentendeu-se com um adversário e recebeu ordem de expulsão.
O árbitro foi de imediato rodeado e foi agredido pelo mesmo jogador, Marco Gonçalves, caíndo no relvado. A partir daí não houve condições para o jogo continuar. Aliás, o árbitro teve de receber posterior tratamento hospitalar, já que fraturou o nariz.
A polícia entrou em campo para serenar os ânimos e acompanhou Marco Gonçalves na saída do retângulo de jogo.

Fonte: MaisFutebol







quarta-feira, 15 de março de 2017

Mais uma possível alteração às regras do futebol: agora, no desempate por penáltis

International Board planeia testar um sistema semelhante ao do ténis

O International Board (IFAB) está a estudar mais uma alteração às regras do futebol e esta vai afetar o desempate por penáltis. A ideia saiu da última reunião do organismo que tutela as leis do desporto-rei, decorrida no início deste mês.

Atualmente, os penáltis no desempate são batidos de forma alternada por cada uma das equipas. Mas diversos estudos mostram que a formação que bate o primeiro pontapé ganha em 60 por cento das vezes.

Por isso, o IFAB vai testar um modelo semelhante ao utilizado nos 'tie-breaks' de ténis: uma equipa bate o primeiro, a adversária bate dois e a série mantém-se de dois em dois até chegarem aos cinco cada. Chamam-lhe a sequência ABBA, não por causa da antiga banda sueca, mas pelo encadeamento - equipa A, equipa B, equipa B, equipa A e assim sucessivamente.

Stewart Regan, membro do IFAB e diretor-executivo da federação escocesa, explicou o plano. "Acreditamentos que o método ABBA vai acabar com a tendência estatística e é algo que agora vamos testar", afirmou.

Fonte: Record


Árbitros na antiguidade e na modernidade (artigo de João Marreiros)

Muito se tem falado e escrito sobre a arbitragem, que continua na ordem do dia com inquiridos principalmente treinadores e dirigentes, que se encontram sob a alçada disciplinar.

O dicionário da língua portuguesa da Porto Editora (p.149) define como árbitro o indivíduo que, em jogos desportivos, fiscaliza a observância das regras. Também, na Enciclopédia Portuguesa e Brasileira (p.110), os árbitros são definidos como senhores absolutos dentro do campo e as suas decisões sobre questões de facto não podem ser contestadas.

Nos Jogos da Antiguidade os atletas comprometiam-se a observar rigorosamente o Regulamento dos Jogos e acatar a autoridade dos Juízes, que vestiam de púrpura escarlate, com assento no meio do Estádio (hellanodikes), coroado de louros e segurando um bastão com castão de pinha, com o qual, não muito frequentemente, puniam um atleta que cometesse qualquer falta.

No primeiro dia, os atletas e os árbitros realizavam o seu juramento num edifício de forma retangular (Buleutério), local onde se reunia a assembleia deliberativa na Grécia antiga, perante a estátua de Zeus Korkios. Juravam agir de forma honesta e honrada visto que o infringimento das leis era considerado uma desonra não só do indivíduo, mas também da cidade que este representava.

O Regulamento dos Jogos da Antiguidade mencionava que toda a corrupção do árbitro ou competidor seria castigada com o látego (chicote de cordas ou de correias), sendo ainda proibido aos competidores de se manifestarem contra o público ou contra os juízes.

Bernard Marillier no seu livro, Jogos Olímpicos (2000) menciona que o Juramento nos Jogos da Antiguidade (p.104) era feito junto ao altar de Zeus e representava o momento mais solene do dia. Vestidos de branco e avançando um após o outro, os atletas estendiam o braço direito ou colocavam a mão direita sobre o altar, onde jazia um javali sacrificado, dizendo ser “leais de competirem enquanto homens livres para honrar o seu nome, o da sua família e o da sua cidade, e de temerem a cólera dos deuses caso viessem a cometer perjúrio”. Por outro lado os hellanodikes juravam que iriam julgar os atletas com imparcialidade e que puniriam os infratores.

Nos Jogos Olímpicos da Era Moderna, Pierre de Coubertin é o autor do Juramento Olímpico pronunciado no dia da Cerimónia de Abertura, por um atleta do país organizador, em nome de todos os concorrentes.
Nos Jogos Olímpicos de 1920, que se realizaram em Antuérpia, o esgrimista belga Victor Boin (1886-1974), pronunciou o primeiro Juramento dos Jogos Olímpicos Modernos, sendo deste modo inaugurado um ritual, que até aos dias de hoje não foi interrompido. Tinha o seguinte teor: “Juramos participar nos Jogos Olímpicos enquanto competidores leais, cumprir escrupulosamente os regulamentos e dar prova de um espírito cavalheiresco, para honrar o nosso país e para a glória do desporto.”

Durante o Juramento a mão esquerda segura um dos cantos da Bandeira Olímpica, com os seus cinco anéis, simbolizando a união dos continentes e o reencontro de atletas vindos de todas as partes do mundo. A mão direita, com o prolongamento perfeito do braço, é solenemente esticada.

Depois da segunda guerra o texto do Juramento viu o seu conteúdo ser modificado tendo sido significativo o desaparecimento da referência “ao nosso país” alterado para “equipa” e a palavra “jurar” foi trocada por “prometer”.

Nos dias de hoje, quando é mencionado que vai ser feito o Juramento Olímpico, o seu teor é o seguinte: “Em nome de todos os concorrentes, prometo que participaremos nos Jogos Olímpicos enquanto concorrentes leais, respeitadores dos regulamentos que os regem e desejosos de participar com um espírito cavalheiresco para a glória do desporto e honra das nossas equipas.”

Por outro lado, nos nossos dias existe também um Juramento dos Juízes, cujo primeiro Juramento teve lugar nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972: “Em nome de todos os juízes e árbitros prometo que oficiaremos nestes Jogos Olímpicos sem prejuízo respeitando e cumprindo as regras que nos governam com o espírito verdadeiro de desportividade.”

No futebol a figura do árbitro apareceu em 1868 mas, apitava pouco, ficando fora do campo sem autonomia para marcar qualquer infração pois eram os capitães das equipas que decidiam, tendo alcançado a autoridade absoluta a partir do ano 1894.

Jorge Araújo, num artigo publicado no jornal “A Bola” de 19 de Novembro de 1994 (p.16), já lá vão quase 23 anos, mencionava que o árbitro deve julgar a acção…e não a intenção dos jogadores. Sancionar o que vê…e não o que pensa que viu! Antecipar a jogada…e não a decisão! O segredo de um bom árbitro…reside na sua capacidade de aplicar uma arbitragem preventiva…mais do que punitiva!

O Regulamento da Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol aborda os direitos e deveres específicos dos árbitros que devem zelar pela boa aplicação das leis do jogo bem como não emitir declarações ou opiniões públicas, em qualquer local e sem autorização prévia, sobre matérias de natureza técnica ou disciplinar relativas ao sistema específico da arbitragem e a qualquer jogo.

As polémicas à volta dos árbitros que se assiste nos dias de hoje, bem como as tentativas de condicionamento, de treinadores e dirigentes teriam razão de existirem se agissem de forma honesta e honrada enquanto competidores leais com o cumprimento dos regulamentos?

Porque será que quando os árbitros entram no terreno de jogo são imediatamente assobiados? Por que motivo na falta de eficácia das equipas na marcação de golos, os árbitros é que são os “culpados”?

João Marreiros é Professor Auxiliar no Ensino Universitário

Fonte: A Bola

Arbitragem na ponta da língua … revisão da matéria dada!... (artigo José Neto)

Tendo em atenção o momento atual, que aliás é um prolongamento que o tempo remete para uma discussão continuada revestida por ecos de discórdia, movidos por interesses medidos por certa gente, revestido de um febril interesse clubístico, referenciando a arbitragem no julgamento do jogo e das faltas existentes que viu no campo sem porventura lá ter estado ou nem sequer viu quando ao mesmo assistiu, remeto para os meus estimados leitores uma reflexão sobre o que escrevi nestas páginas da bola.pt nas datas de 3 e 17 de Março 2016.

Em termos de revisão do transcrito, anotando contudo outros comentários que se me afiguram mais relevantes, posso desde já afirmar que este sector de importância singular, porque decisiva, na apropriação dum resultado, me começou a merecer uma atenção especial a partir do momento em que o então presidente do Conselho de Arbitragem, Dr Laureano Gonçalves, através do meu muito estimado presidente da A.F.Porto Dr Lourenço Pinto, me convidou a colaborar numa ação de formação nacional, mais especificamente na realização de testes físicos de avaliação no Estádio da Maia, em meados da década de 90, estando também presente como convidado o senhor Paolo Casarin, dirigente máximo da U.E.F.A.

Pelas dificuldades apresentadas na obtenção de resultados por parte de alguns árbitros e árbitros auxiliares de então, agora cognominados de assistentes, formulei-lhes algumas questões, nomeadamente sobre o tipo de treino que realizavam. Claramente preocupado pelas respostas obtidas, dado que de uma forma geral a base temática se referia a corridas à volta dum campo pelado, ou em pistas existentes, ou quando muito nos parques da cidade, sendo que no final se submetiam a algumas séries de abdominais.

Estupefacto pelo conhecimento transmitido, de imediato me assaltou na memória a tal frase que jamais deixarei de evocar e outrora me fora dirigida por outra figura sagrada da minha vida, senhor Pedroto, que me dizia: “olha para o jogo e eu te direi como deves treinar e olha para o treino e te direi como deves jogar”. Assim foi que, com a devida autorização dos responsáveis e com a colaboração dos meus alunos finalistas do 1º Curso de Educação Física e Desporto do Instituto Universitário da Maia – ISMAI, iniciamos um projeto de avaliação e investigação na arbitragem. Assim, começamos por criar uma ficha modelo onde se fazia constar alguns parâmetros, tais como: antropometria (peso, altura e percentagem de gordura); motores (flexibilidade e destreza); psicológicos e mentais (autoconfiança, stress e ansiedade, atenção e concentração) e avaliação de comportamento ao nível do jogo (distâncias e formas como eram percorridas, níveis de frequência cardíaca detetada, etc.).

A partir daqui, ficaram disponibilizadas algumas “ferramentas” suficientemente capazes de modelar uma orientação metodológica de treino, quer correspondente ao árbitro, quer ao árbitro assistente e também tendo em atenção a especificidade da qualidade individual.
De referir que a Editora “Asa”, conhecedora do projeto, me deu a honra de publicar “ A Preparação Física e Psicológica do Arbitro de Futebol” e que, dada a bibliografia praticamente inexistente, esgotou a edição, servindo de base de muitos outros estudos, naturalmente mais avançados, porque ajustados à realidade e à medida que eram produzidos.
Como nota de apreço e de justiça, voltar a fazer constar a importância do então Diretor Executivo da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, Dr José Guilherme Aguiar que propôs a criação dos Centros de Treino para a Arbitragem, figurando os distritos do Porto, Braga, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Évora, Portalegre, Faro e Funchal, tendo eu próprio assumido a supervisão dos mesmos, avançando com as metodologias a administrar por vários metodólogos de treino admitidos para o efeito. Era uma condição obrigatória que cada centro tivesse disponível um campo relvado e se submetessem os treinos durante 2 vezes por semana, procurando ao longo do tempo fazer algumas visitas no sentido de criar uma cultura de exigência participativa no desempenho e rigor, abrindo – se a possibilidade participativa a outros árbitros oriundos da FPF ou das Associações respetivas.
Em 2004/5 terminei as minhas funções devido a alguma discordância pelo tipo de liderança no momento registada e inoperância de estratégias ao nível dos testes de avaliação. Quando tudo se fez para reverter os espaços de treino para os espaços de jogo e das normas resultantes na aplicação dos novos testes, aparece novamente a pista devendo os árbitros efetuar 10 pistas, perfazendo a distância de 150 metros a elevada intensidade, seguindo 50 metros a caminhar, tendo como referência 30” – 30”. Quanto aos árbitros assistentes, valores de 75m em alta intensidade, seguindo 25 m a caminhar, tendo como referência 15” – 20”, apurando – se a capacidade de velocidade pela prestação duma prova de 6x40m em 5.8”.

Como o espaço de jogo é o campo, não a pista, tentei alterar esta posição, isto é, os árbitros e árbitros assistentes deveriam realizar os testes no espaço correspondente à sua ação predominante, tendo para o efeito proposto uma metodologia que ao não ser aceite, foi uma das razões do desacordo, associado a outras situações que para já, gostaria que ficassem no meu sacrário pessoal de entendimento. Alguma coisa valeu, pois houve entretanto melhoria na aplicação dos testes, em especial dos árbitros assistentes em referência à avaliação de velocidade de reação e aceleração (CODA). No que concerne ao árbitros a distância em pista foi reduzida, mantendo contudo a intensidade de 4x75 metros a correr com 25 metros a caminhar … mas a pista continua …enfim muito a referir em relação a isto, mas não quero de alguma forma continuar a “bater no ceguinho”…

Ainda sobre os centros de treino e a função a exercer para os árbitros profissionais, penso que muito há ainda a exigir. Não é possível obter um estado de forma ao nível da excelência, treinando 3 vezes por semana (2 tardes e uma manhã com sessões de média de duração de 90m). Também deixei expresso uma metodologia de treino diário (e por vezes bidiário) em que se vejam associadas várias temáticas para além das físicas propriamente ditas, como condutas de referência psicológica, mental e ambiental integrada e demais matérias de âmbito sociológico, jurídico, comunicacional, línguas estrangeiras, novas tecnologias, sistemas e modelos de jogo e tudo o mais que de mais se souber, pois se apenas de Arbitragem se sabe, nem de Arbitragem se sabe…
Volto a referir que não obstante desconhecer “a alma” da arbitragem, foi um tempo de muita aprendizagem, enquanto supervisor dos centros de treino pela significativa relação de respeito e afetos com que me deixei envolver.

Quanto a toda esta “guerrilha” que nos entra periodicamente pelas nossas casas adentro via televisão, exposta nas primeiras páginas de jornais, ouvida em programas de grande audiência na rádio, labaredas de opinião expostas em mesas redondas repletas de entendidos de quem tudo sabe e que só pelas constantes e consequentes repetições de imagens são capazes de “ficar com a ideia de “ atingir o poder da razão, é um ponto de premente e cuidada reflexão:
Alguns jogadores, muitas vezes intérpretes de simulações desacreditadas, acordam o desejo de chamar a si o significado da verdade.
Alguns dirigentes, que se veem envoltos em dificuldades de gestão, com conhecidos momentos de maior desgaste administrativo ou classificativo, estão sempre prontos para a reivindicação pública perante um resultado desfavorável.

Alguns treinadores, que não esperam a oportunidade para perante o erro do árbitro, justificar a causalidade do resultado, desviando as atenções para possíveis incapacidades latentes nas respostas que a competição lhe exige.

Alguns adeptos, que arrancam com uma onda de impropérios transferida em ecos de discórdia, raiva e ira num odioso libertador de consciências descompostas e por isso se vão arrastando até às áreas protegidas pelas redes, (chamo-lhe o espelho dos cobardes), os “heróis” da festança.

Perante esta envolvência, a figura do árbitro deverá assumir a função de profundo equilíbrio, cultivando o rigor, a isenção, a tolerância, a integridade, a firmeza, a retidão, a imparcialidade, a coragem, a coerência, o decoro, a sobriedade, vendo-se autenticado o seu valor participativo no julgamento do jogo, sempre referenciado por uma estreita colaboração.

Colaboração, usando a competência como juízo de valor técnico; colaboração, usando a imparcialidade como juízo de valor humano; colaboração, usando a autoridade como juízo de valor técnico e humano.
Tarefa difícil, esta de ser árbitro de futebol!...

José Neto – Metodólogo em Treino Desportivo; Mestre em Psicologia Desportiva; Doutorado em Ciências de Desporto/Futebol; Formador de Treinadores F.P.F.-U.E.F.A.; Docente Universitário.

Fonte: A Bola

terça-feira, 14 de março de 2017

Hooligan entra em campo com ferro para agredir o árbitro

Imagens lamentáveis que chegam da Croácia. Um adepto invadiu o encontro do Hajduk com o Rijeka (1-1) com o intuito de agredir o árbitro



Ao contrário do que normalmente acontece quando algum adepto invade o relvado, desta vez foi preciso esperar mais de um minuto para ver membros de segurança entrarem no relvado.






Fonte: O Jogo

Duarte Gomes escreve sobre as leis do jogo. Lei 10


Primeiro, o nome: Lei 10, Determinação do Resultado de Um Jogo

Nesta regra, exploram-se as várias formas legais de determinar o vencedor de uma partida de futebol.

Particular destaque hoje para o que de mais relevante há para saber sobre os pontapés da marca de penálti.

Primeiro, falemos do golo: ele é marcado sempre que a bola transpõe (totalmente) a linha de baliza, entre os postes e por baixo da barra. Simples, certo?

Mas um golo só é válido se nenhuma infração for antes cometida pela equipa que o marcou. Obviamente.

Falemos agora da equipa vencedora.

Essa será sempre aquela que marcar mais golos do que o adversário. Se ambas marcarem o mesmo número de golos, o jogo termina empatado. E quando isso acontece, o jogo termina... ou não.

Se o regulamento de competições exigir que haja um vencedor (após um jogo ou após as duas mãos de uma eliminatória), os procedimentos de empate que a lei prevê são os seguintes:
1. Regra dos golos marcados fora;
2. Prolongamento;
3. Pontapés da marca de penálti.


Foquemo-nos apenas nos pontapés de penálti.

A escolha da baliza onde serão realizados dá-se por meio de um sorteio com moeda ao ar (a menos que questões de segurança ou o facto de uma das balizas/terreno ficarem inutilizáveis obrigue à escolha direta).

Depois desse sorteio, dá-se um outro: aquele que define qual a equipa que executa ou defende o primeiro pontapé (quem vencer o sorteio, escolhe).

Mais pormenores importantes:
  • Só estão habilitados a executar os pontapés os jogadores que estiverem no terreno no final do jogo (à exceção do GR lesionado que seja substituído ou dos jogadores de campo que estejam, momentaneamente, a receber assistência médica no exterior);
  • O árbitro não tem que ser informado da ordem (ou número) dos jogadores vão executar os pontapés;
  • Caso o jogo tenha terminado com uma das equipas com jogadores a mais do que a outra (por exemplo, se houver atletas expulsos), essa equipa deve reduzir o seu número de jogadores até ficar igual à adversária: a ideia é que, quando os pontapés forem batidos, ambas estejam numericamente em igualdade de circunstâncias.
Durante a execução, o que é importa saber?
a) Que todos os jogadores (menos o executante e os dois GR) devem estar no círculo central. E todos os outros atletas, fora do terreno de jogo.
b) Que qualquer jogador habilitado pode trocar de lugar com o seu GR.
c) Que o árbitro toma nota de todos os pontapés executados.
d) E que o GR, colega do executante, deve permanecer fora da área de penálti, sobre a linha de baliza, junto da intersecção desta com a linha da área de penálti.

Outros pormenores relevantes

Já sabemos que cada equipa executa, alternadamente, cinco pontapés. A que marcar mais golos, vence o jogo.
Caso continuem empatadas, a execução prossegue até que uma tenha marcado mais um golo do que a outra (com o mesmo número de tentativas).
Só depois de todos os jogadores (incluindo GR) terem executado os pontapés, é que o primeiro jogador o pode repetir.
Alteração desta época: os pontapés não podem ser atrasados pelo facto de um dos executantes habilitados sair do terreno de jogo (por exemplo, para receber assistência). Aí o seu pontapé seria considerado como anulado / não executado.

Substituições e expulsões nesse processo:
  • Qualquer jogador pode ser advertido ou expulso na marcação de penáltis para achar vencedor (titular ou suplente);
  • Um GR expulso pode ser substituído por um colega habilitado;
  • Um jogador de campo que esteja impossibilitado não pode ser substituído (só o GR por lesão);
  • Mesmo que uma equipa esteja reduzida a menos de sete jogadores, os penáltis prosseguem (em tese, podia ser um único jogador a marcar e defender). O jogo nunca é interrompido até ser definido o vencedor.
E está tudo dito sobre a Lei 10.

Leiam e preparem-se: para a semana, falaremos de uma das mais dúbias e difíceis regras do manual: o fora de jogo.

Apertem os cintos. Boa semana.

Se quiser ler sobre as outras leis poderá fazê-lo aqui:


Fonte: Expresso


Árbitros Mexicanos em greve devido ao comportamento violento dos jogadores

Os árbitros mexicanos decidiram suspender a sua participação na jornada 10 do Torneo Clausura, entrando em greve em protesto contra a violência de que têm sido alvo por parte dos jogadores e que consideram não terem tido a punição adequada. São lances como o do vídeo em anexo de que se queixam.



domingo, 12 de março de 2017

Violenta agressão a árbitro em Viseu

Um árbitro de Viseu foi agredido no final de um jogo dos distritais e há imagens que podem ajudar a identificar o agressor. A própria GNR está a investigar o caso, mas, na altura da agressão, não havia polícia por perto, porque as forças de segurança não foram requisitadas para acompanhar o jogo.

Fonte: Sic Notícias



sábado, 11 de março de 2017

Agressor de Árbitro Culpado Criminalmente

Fez-se justiça. Agressor a árbitro considerado culpado pela justiça portuguesa.

Foi julgado no tribunal de Oeiras um jogador que agrediu um arbitro da AFLisboa. O árbitro foi assessorado pelo departamento do contencioso da APAF, o qual culminou com a condenação do jogador com 7 meses de pena de prisão efetiva e a uma indemnização no valor de 2590 euros.

A APAF sempre lutará pela defesa intransigente dos valores éticos, morais e deontológicos da arbitragem e pela segurança de todos os intervenientes, nomeadamente dos árbitros, arbitros-assistentes e observadores é demais associados.

A APAF espera que as agressões aos árbitros terminem.


Fonte: APAF

Duarte Gomes escreve sobre as leis do jogo. Lei 9

Boa tarde, caros leitores. Hoje trazemos a esta rubrica mais uma das regras do jogo.
Porque nem tudo é dúbio ou suscetível de ter várias interpretações (lá chegaremos), abordaremos de seguida aquela que é, seguramente, a mais pequena e fácil das leis de jogo.

A viagem é curta, mas sentem-se.

Lei 9 - A bola em jogo e (a bola) fora de jogo

Não se assustem. Ainda não vamos falar de "Fora de Jogo". Há uma lei específica (11), onde trataremos de a abordar.

Esta refere-se apenas a duas situações relativas à bola: quando é que ela não está em jogo e quando é que se considera que está.

É quase redundante porque qualquer adepto mais atento consegue, sem esforço, perceber quando é que isso ocorre, na prática.

Mas isso não significa que conheça, no entanto, o que está escrito sobre essa matéria no "livro sagrado" do futebol.

Vamos então explorar a teoria.

BOLA FORA DE JOGO

Considera-se que a bola não está (ou deixa de estar) em jogo quando ela ultrapassa completamente a linha de baliza (que o adepto conhece como linha de fundo) ou a linha lateral, quer junto ao solo, quer pelo ar.

Quer isto dizer que todas as bolas que saiam do terreno de jogo... não estão em jogo (eu avisei que era redundante).

Mais. Também se considera que a bola está "fora de jogo" (ou do jogo) quando este é interrompido pelo árbitro. Mais uma óbvia, certo?

Sempre que o árbitro apita para marcar uma falta ou interrompa a partida por qualquer outro motivo, está a suspender temporariamente o jogo. Isso significa que, nesse período de tempo, a bola não está jogável, mesmo que esteja fisicamente dentro das quatro linhas.

Certo?

Agora vamos ao oposto.

BOLA EM JOGO

Por outro lado, a bola está em jogo (ou seja, jogável) em todas as outras situações, nomeadamente quando ressaltar para o terreno após ter embatido num elemento da equipa de arbitragem (por exemplo, tocar no árbitro ou no árbitro assistente, desde que este esteja dentro do terreno), no poste, na barra transversal ou na bandeirola de canto e permanecer no interior do terreno.

Trocando por miúdos... sempre que a bola tabelar em algum árbitro (que se encontre dentro do terreno), na baliza ou em alguma das bandeirolas e ressaltar para o interior do "relvado", continua jogável.

Faz sentido, não faz?

E pronto. Mais não disse.

Pode não parecer, mas esta regra faz sentido porque define, de uma modo geral, o âmbito principal da intervenção técnica do árbitro.

Voltamos na próxima 2ª feira com a Lei 10.

Até breve.